O varejo é muito dinâmico e está sempre se reinventando. Tudo pra chamar atenção do consumidor? Mas como está essa relação consumidor – varejo? Como o varejo vem reagindo?
Os varejistas consideram que tem uma vantagem competitiva muito forte: ter uma relação privilegiada com o consumidor. Afinal, o contato é direto. Mas essa não é uma afirmação totalmente verdadeira, uma vez que a indústria, por exemplo, tem investido muito em pesquisas para tentar se aproximar do consumidor. Então, o que mudou? O que o varejo vem fazendo para retomar esse seu privilegiado espaço?
As marcas e o varejo já sabem da importância de ir além dos dados demográficos, conhecendo sua psicografia e o estilo de vida dos seus clientes. Mas a pergunta que fica é: com quem a marca está se relacionando hoje? Com consumidores ou com pessoas? Ela está promovendo uma troca comercial ou emocional? Que informações ela tem do público, que estão gerando ações de fato?
Enxergar o público como aquele que deve ser motivado para entrar, comprar e sair da loja é tratá-lo como consumidor. Ver além da sua entrega é perceber que existe uma pessoa, com sentimentos e outros gostos, além daquela marca, que podem ser utilizados para potencializar a sua relação.
Afinal, ninguém mais acredita que apenas uma campanha de TV e uma boa vitrine vão dar resultados extraordinários. Hoje, esses são requisitos básicos. É preciso conversar, encantar e criar novas formas de envolvimento.
Por isso, o varejo vem investindo em ambientes impactantes no PDV – a tal da ERA DA EXPERIÊNCIA. Novos formatos e usos de novas tecnologias. Um verdadeiro Storytelling! Que já ultrapassou as barreiras físicas das lojas: está na web, em Pop Up Stores, aplicativos para celulares e Iphones, em diferentes formas de personificação...
Ok, isso não é mais novidade. Esse tema tem aparecido nas últimas palestras, artigos e revistas do meio. E realmente a maioria dos varejistas domina essa teoria. Por isso, as marcas que realmente FAZEM algo diferente, colocam as idéias em PRÁTICA, se destacam. Tudo, é claro, com muita consistência e foco, para que o território da marca fique muito claro. Ás vezes, uma ação isolada pode ser um grande passo para a marca, mas um movimento pequeno na visão do seu público.
Não são todas as marcas varejistas que tem segurança e vontade de arriscar e tentar o novo. Até porque algumas ações são difíceis de medir seus resultados. Por isso, a diferença está em quem tem mais ação e menos discurso.
A Uniqlo, pra mim, é a marca que mais tem se destacado no cenário varejista global. Ela utiliza, principalmente, a plataforma Web para disseminar e criar novos conteúdos, sempre linkados com a cultura da marca. Por isso, ela nunca fica parada. Está sempre gerando uma novidade, um fator WOW, que levam todas as atenções para ela.
A Tesco e a Best Buy também estão inovando, através do Consumer Centricity, organizando suas estratégias de distribuição e operação conforme as demandas de cada loja. Quais são os horários de fluxo daquela loja? Quais são as maiores demandas dos consumidores? São Singles? Famílias? Terceira idade? Qual o tipo de consumo da semana? E do final de semana? Isso significa uma nova maneira de pensar toda a operação da empresa, com um olhar totalmente voltado para as PESSOAS da região.
Algumas marcas atendidas pela Escala, também estão criando formas de gerar um FATOR WOW através da comunicação. A rede de eletrodomésticos Lojas Colombo está buscando inovar também nos pontos de contatos tradicionais – como o Jornal. Para comemorar os seus 50 anos, a Rede criou um anúncio diferenciado, que pela primeira vez interferiu no editorial do principal jornal de Porto Alegre. A idéia era instigar os leitores a pensarem no futuro – segundo a temática da comunicação do ano- imaginando com seria, por exemplo, a política, as formas de se divertir, o seu dia a dia nos próximos 50 anos.
Quer outro exemplo? Pensando que os anúncios de varejo de eletrodomésticos são muito parecidos (afinal as lojas trabalham praticamente com os mesmos produtos, as mesmas marcas e um valor muito parecido) como diferenciar o da Colombo? A Escala então criou um anúncio de Jornal interativo. O anúncio, veiculado na Zero Hora de Porto Alegre, convidava o público a enviar uma mensagem de texto gratuita para um número. A resposta do SMS vinha com o desconto surpresa e uma senha para realizar a compra direto pelo site ou pelo televendas. Em seu único dia de oferta anunciada foram mais de 750 SMS. Sem falar na repercussão, em vários sites de notícias e blogs.
E como unir uma liquidação com sustentabilidade? O desafio foi proposto pelo grupo SONAE SIERRA, proprietária e administradora de 10 Shoppings Centers no Brasil, que tinha intenção de criar uma nova data para o seu calendário promocional anual. E foi assim, que a primeira campanha de liquidação do Brasil com tema de sustentabilidade nasceu: CÓDIGO VERDE. Mas não podíamos ficar apenas no discurso. Por isso, a Escala propôs uma promoção diferenciada: a cada R$ 100 em compras, o cliente ganhava um cupom. Só que ao invés de ser um (tradicional) sorteio de carro, a cada cupom depositado, a Sonae Sierra Brasil responsabilizava-se por plantar uma muda de árvore, em parceria com a SOS Mata Atlântica. E a receptividade? 23 mil mudas foram plantadas!
Foram práticas novas, que estendem a relação do varejo com as pessoas que se envolvem direta ou indiretamente com a marca. Práticas que geraram uma conversa, que não termina naquele momento, é apenas uma parte da história, um começo.
Meu plano original era abrir esse post falando sobre o seminário da Apple. Acho que vocês iam gostar e ia dar uma super credibilidade pro meu texto, uma vez que é uma das marcas mais e desejadas dentro do mercado publicitário. Eu poderia inclusive inventar algumas coisas dizendo que alguém da Apple falou algo que eu acho só pra me dar bem com vocês. Mas alguma coisa deu errado e cancelaram a apresentação, o que estragou meus planos.
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Então, corri para o Auditório K do Palais onde estava passando o excelente shortlist de Titanium & Integrated, hoje os leões mais importantes de Cannes. O presidente do júri de Titanium, David Droga (da Droga5), disse em sua carta de abertura que compara a busca do Titanium com o trabalho de homens do passado como Marco Polo, sempre navegando em áreas que não constavam em mapas. Da mesma forma, os leões de Titanium exploram conceitos em nossa área que ainda não foram mapeados e definidos.
É difícil definir um Titanium, mas quando você vê no shortlist, sabe do que estão falando. Assistir ao shortlist de Titanium & Integrated, a meu ver, é muito mais importante do que assistir ao rolo de filmes. Se fôssemos comparar com carros, seria como escolher entre o Salão do Pára-Brisa e o Salão do Carro. Uma idéia Titanium ou Integrated, além de desbravar novos territórios, sempre se apresenta não como uma peça mas como uma estratégia ampla e frutífera. Selecionei aqui apenas alguns dos cases incríveis que vi durante as duas horas de projeção. Primeiro, o case do Zuji, um portal de buscas especializado em turismo que resolveu ajudar seus clientes a conseguirem tirar férias criando e vendendo produtos de uso cotidiano a preços ridículos:
E tem também a Trillion Dollar Campaign, que usou o desvalorizado dinheiro do Zimbabwe como mídia:
Pra não falar da excelente Best Job In The World, que divulgou um destino desconhecido no mundo todo com anuncios de emprego que levavam a um concurso:
E por aí vai...
Depois dos Titanium, desci para dar início a uma maratona de quatro horas de workshops. O primeiro foi encabeçado pela Red Tettemer, uma agência independente da Philadelphia relativamente desconhecida, mas com uma filosofia de trabalho e cases bastante interessantes. Steve Red (Presidente e Chief Creative Officer) e Carla Mote (Senior Vice President) receberam um grupo de cerca de vinte pessoas para dividir algumas idéias e propôr um exercício que acabou criando algo difícil na maior parte dos workshops: diversão.
A primeira hora do workshop foi encabeçada por Steve, que apresentou o modus operandi da Red Tettemer. Construída sobre credos bastante consistentes e buscando gerar um espírito de comunidade dentro da agência, as saídas propostas pela Red Tettemer não contam apenas com premissas criativas na concepção, mas também nas estratégias de produção e disseminação de seus projetos. Em outras palavras, o brainstorm inclui o "como" fazer acontecer e não apenas "o que" vai acontecer. Dois cases ilustram bem esse ponto.
O primeiro foi um trabalho desenvolvido pela Red Tettemer pra Secretaria de Turismo da Pennsylvania. Lembra do Dia da Marmota, do Feitiço do Tempo? Pois então. Aquilo se passava na Pennsylvania e a agência resolveu aproveitar a deixa do filme (ainda bastante lembrado) pra criar um filme sobre um problema grave enfrentado pela cidade de Punxsutawney: a fuga da sombra da marmota. Groundhog Crossing conta a jornada da marmota em busca de sua sombra. E não é um comercial, mas um longa escrito e produzido por um time de três criativos e um produtor da agência que foi depois divulgado via YouTube e em festivais de cinema pelos Estados Unidos, levando o nome da cidade do estado da Pennsylvania a um público atento e multiplicador.
O segundo case apresentado foi da cerveja Rotgutzen, uma falsa marca criada especialmente para competir com o verdadeiro cliente da Red Tettemer, a cervejariq Ska Brewering. A campanha daRotgutzen a mostrava como uma cerveja de gosto comum, comoditizada, feita por uma grande empresa desalmada que só pensava vender mais e mais, inclusive desenvolvendo produtos para crianças. Nesse cenário, as qualidades das cervejas dq Ska Brewering se sobressaíam naturalmente. Como disse Steve Red, "criamos duas marcas para vender uma." Outra nota interessante a respeito desse case foi a forma de remuneração da agência. Em troca da campanha, a Ska Brewering ficou responsável por produzir e engarrafar o Tub Gin, destilado proprietário da Red Tattamer, que agora também está no segmento de bebidas alcoólicas. "Isso nos fez pensar como clientes e entender de assuntos como distribuição" disse Carla.
A essa altura do campeonato, estávamos todos bastante imbuídos do espírito aberto e empreendedor da Red Tettemet. Foi quando Carla e Steve passaram o briefing para a parte ativa do workshop. Fomos divididos em equipes e cada grupo recebeu um laptop e uma câmera flip-top para criar um filme em 30 minutos a partir de um tema específico. Aí estava a explicação do título do workshop, "Creating at The Speed of The World".
Meu grupo, formado por mim e mais duas atendimentos (uma da Romênia e uma da França) tinha por briefing apenas a palavra "ROMANCE". A meia hora em que trabalhamos no nosso curta metragem foi a mais divertida do Festival. Nesse tempo, concebemos, filmamos e editamos uma história sobre um leão de pelúcia que se apaixona por um leão de Cannes. Assim que a Red Tattamer publicar o filme, eu mostro aqui. Fiasco por fiasco, é melhor que vocês fiquem sabendo por mim.
Logo na sequência, mal o pessoal da Philadelphia deixou a sala e entrou o fundador da Poke, Tom Ajello. A Poke é uma das mais comentadas agências digitais do momento, responsável por sites simples e contagiantes que vem rebendo ampla cobertura da imprensa e de blogs, especialmente na Inglaterra. Ajello contrapôs o conceito de big idea e comentou que "o Google, por exemplo, não é uma grande idéia. Ele simplesmente fez um pouco melhor e de forma bem mais simples o que os outros mecanismos de busca já faziam. O que importa não é o tamanho da idéia, mas o tamanho da conversa que ela gera."
Embora seja basicamente um jogo semântico que ele fez aqui, acredito que tem um ponto importante: a busca pelo simples e direto como forma de gerar interesse e comentários em um mundo complicado. O que é grande e complexo é difícil de passar adiante. "Não sei se é verdade, mas dizem que Alex Bogusky costuma pedir a seus criativos que apresentem suas idéias no formato de release pra imprensa" relatou Ajello. A necessidade de se ter um elemento visual forte e que possa ser replicado também foi um dos fatores colocados como vitais para a disseminação de idéias.
Todas as soluções apresentadas pela Poke tinham essas duas características. O BakerTweet, por exemplo, não é uma idéia 100% nova. Já vimos por aí algumas padarias ou confeitarias que avisam no Twitter quando está saindo uma nova fornada. O insight da Poke foi desenvolver um aparelho simples, com apenas dois botões e design icônico, de forma que: 1) os confeiteiros e padeiros não precisassem de um laptop para entrar no Twitter próximo ao forno e 2) os blogueiros tivessem algo com apelo visual para replicar e comentar. Depois de ver mais alguns cases da agência, mais uma vez fomos convidados a nos reunirmos em grupos e tentar colocar em prática os fundamentos apresentados. O briefing dessa vez era mais complexo: criar "alguma coisa" que aproximasse uma empresa de software para o público baby-boomer que viveu os sonhos dos anos 60 e hoje têm entre 50 e 60 anos, comprou computadores para seus filhos mas não são tão íntimos quanto eles das novas tecnologias. Fomos encorajados a pensar uma solução simples e que incluísse esse público na conversação atual que acontece na internet.
Eu, mais dois brasileiros (um deles o Patrick, redator da DCS e ou outro Miguel Bemfinca, diretor de criação da DDB Madrid), um espanhol e três latvianas apresentamos o Todaytor, um site no estilo Google que traduziria conceitos culturais dos anos 60 para os tempos atuais. Por exemplo, escrevendo Janis Joplin e clicando no botão de busca, o Todaytor apresentaria uma série de links para músicas e vídeos de novas cantoras de soul, fazendo a ligação entre o conhecimento daquela década e o contexto cultural atual. Dessa forma, um antigo fã de Janis Joplin poderia facilmente conversar com seu filho ou com outros jovens na internet sobre as similaridades da voz dela com a voz, digamos, da Adele. Curiosamente, a idéia parece estar picando porque outro grupo da sala desenvolveu um projeto praticamente igual chamado Refresh.
Enfim, depois de apresentar o Todaytor ao grupo, submetemos a idéia aos dois sócios da Poke presentes na sala sob a forma de um bilhete contendo apenas dez palavras. Soubemos minutos mais tarde, que essas dez palavras foram enviadas para a mãe de Tom Ajnello na Inglaterra. Ela é que deu o veredicto final sobre a idéia vencedora através de um videochat. Sim, você leu certo: a mãe do cara apareceu ali pra nós oferecendo a visão do target sobre os projetos apresentados. Sem dúvida, um experiência inesquecível. E dessa forma estimulante e criativa foi que o Festival terminou para mim. Ainda temos hoje à noite a entrega dos prêmios de Film e Titanium & Integrated, além da festa de encerramento. Mas em termos de conteúdo, por enquanto é isso que tenho para passar pra vocês.
Um último recado. Ontem assisti aqui a Colin, filme de um novíssimo diretor que fez um filme de zumbis com apenas... 45 libras (alguém aí falou em Robert Rodriguez?). O filme foi elogiado no festival de cinema de Cannes e a Saatchi & Saatchi promoveu essa projeção de ontem, provavelmente como uma forma de demonstrar que a criatividade não deve ser restringida por verbas nesse momento de crise. Hmmm. Só eu e mais umas seis pessoas assistimos, mas realmente valeu a pena. É o primeiro filme de zumbis que se passa do ponto de vista de um zumbi. Se você quiser ler minhas impressões sobre Colin, vai no meu blog, o Conector.
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Ah, devo ainda publicar um post de encerramento comentando alguns pontos gerais sobre o Festival. Porém aviso que vai ser algo bastante rascunhado. Meu próximo trabalho será construir uma palestra que será oferecida aos clientes e à equipe da Escala e pra isso precisarei de mais tempo e mais penso. É provável que ofereçamos também essa palestra para algumas universidades. Até logo mais...
Minha manhã de quarta começou com o seminário da Cheil Worldwide, empresa asiática especializada em mobile marketing que prometeu expandir o estudo que apresentou no ano passado. Em vez do vídeo documental que mostrava 24 horas na vida de uma jovem de Seoul, este ano a Cheil trouxe os códigos sociais que dirigem o uso do celular na Coréia, China e India. Por que interessaria a nós, brasileiros, saber disso? Bem, por dois motivos. O primeiro é que China e India são mercados emergentes no cenário mundial, com algumas características em comum com o Brasil, como a entrada massiva de novos grupos sociais no mercado de consumo. Em segundo lugar, porque, no caso da Coréia, temos um público totalmente heavy user de comportamento mais avançado que oferece insights sobre pra que lado a mobilidade pode andar.
Por exemlo: para os pré-adolescentes coreanos, o celular é muito mais que um utilitário. É parte da cola social que une as amizades e os grupos, além de uma plataforma para expressão pessoal através da customização.
Na China, por outro lado, o celular aparece como um símbolo de status e o usuário mais influente no segmento não é o pré-adolescente, mas os jovens de 25 a 35 anos imersos no hoje turbinado mercado de trabalho chinês. Pra você ter uma idéia, uma montagem de fotos na apresentação mostrou como TODOS os entrevistados para a pesquisa fizeram questão de deixar seu celular em cima da mesa como que declarando seu status. Você conhece alguém assim?
Quando vamos pra India, o celular tem uma conotação completamente diferente. No segundo mercado mundial de mobilidade, com 20 milhões de novos usuários a cada mês, o celular é um fator de equalização social. As mulheres e os membros das castas inferiores ganharam mais desenvoltura e independência através do celular, tendo acesso a uma forma de comunicação que não está restrita a um nível específico de hierarquia social ou financeira. Um detalhe curioso: as castas menos favorecidas não deixam de se comunicar por falta de dinheiro para pagar a conta. A "ligação perdida" se tornou um código comum: em um vídeo apresentado, um estudante de uma parte do país declarou que toda noite ligava pra mãe e desligava antes de completar a ligação. Assim ela sabia que ele estava bem. Em outras palavras, jeitinho indiano. No Brasil, temos uma tendência muito forte a utilizar pesquisas americanas para tirar conclusões sobre nossos consumidores. Não há dúvida que a cultura americana dá a batida para muita coisa do nosso dia-a-dia, mas é preciso tomar cuidado pois cada vez mais os países emergentes desenvolvem soluções próprias para suas questões. Com tanta criatividade disponível, o conceito de "primeiro mundo aspiracional" vai lentamente caindo em total desuso e olhar para nossos "pares" asiáticos pode oferecer inspiração mais focada às nossas necessidades.
Na sequência, o seminário da BBDO e da Proximity trouxe o olhar feminino da rede para a internet. Em uma apresentação monocórdica e não muito entusiasmada, o Presidente da BBDO Worldwide trouxe inferências e provas de que a web é um ambiente pouquíssimo explorado para o público feminino apesar de lhe cair muito bem. No mundo todo, 63% das compras feitas pela internet são realizadas por mulheres, mas mesmo assim nem todas as marcas perceberam que:
1. A internet para o homem é um lugar de fantasiar e para as mulheres, um lugar para lidar com a realidade. Em outras palavras, para homens é playground, para mulheres é parte do seu dia-a-dia. 2. Isso não significa que a mulher tem um comportamento racional na web. Pelo contrário, ela é mais dada à "viagem" do que ao "destino". Como em uma loja física, na web a mulher gosta de passear e o homem de ir direto ao assunto. 3. Outra diferença importante: homem gosta de pontuar, medir forças, enquanto a mulher prefere construir relacionamentos duradouros.
No fundo, nada de novo em termos de comportamento humano. Por outro lado, são insights que precisam ser reforçados vez após vez pois para muitos a internet ainda é um ambiente com uma linguagem unificada, o que por vezes gera soluções grotescas onde um dos principais fundamentos para a comunicação com o público feminino fica de fora: a emoção.
Depois do seminário da BBDO, o figuraça Fernando Vega Olmos trouxe à tona o assunto da crise mundial do ponto de vista de alguém que, como os brasileiros, entende de crise. A Argentina, em 2002, teve cinco presidentes durante o verão e lidar com esse tipo de cenário sem dúvida prepara melhor os latino americanos para os tempos de dificuldade. De pés descalços e tirando onda com o primeiro mundo, Vega Olmos mostrou fotos dos encontros de Davos dos últimos anos onde artistas como Bono, Sharon Stone e Angelina Jolie apareciam sorridentes ao lado de Kofi Anam. "Com essa gente liderando o mundo, não é pra menos que entramos em crise" refletiu Vega Olmos. Em seguida, apresentou sua teoria dos melões, a qual compara a crise com uma estrada esburacada e as empresas como melões acomodados na carroceria de um caminhão. Os melões de cima não gostam da crise, mas para os melões que ficam abaixo, a instabilidade é uma grande oportunidade de subir e mudar a gestalt do momento. "Não tenha medo de perder seu emprego na crise." disse Fernando. "A maior parte dos empregos é um pé no saco."
A atitude correta segundo o Creative Chairman da JWT é ir além dos números. Ele mostrou que, entre 1999 e 2002, a Apple perdeu 6% do seu faturamento. No mesmo período, a empresa investiu 42% a mais em pesquisa e desenvolvimento. Foi logo depois dessa época que foi lançado o iPod. "Deve ser difícil convencer os acionistas de que você precisa investir 42% a mais em P&D quando perdeu 6% do seu faturamento" lembrou Vega Olmos. Atitudes como essa é que fazem empresas saírem fortalecidas das crises. Falando assim, parece que estamos nos referindo à boa e velha máxima de enxergar a crise como oportunidade, mas o que Fernando demonstrou no palco foi um saudável desrespeito com a crise. Seu jeito malemolente e desbocado incitam um "tô nem aí" muito mais produtivo e fértil do que a aura de terror pregada pela mídia, especialmente a financeira. Até agora, o melhor speech de Cannes.
O dia no auditório Debussy fechou com o frenético CEO da Microsoft, Steve Balmer. Balmer veio reforçar o que o quiosque da Microsoft em Cannes vem tentando dizer aos publicitários do mundo todo: queremos ser seus parceiros, venha conversar com a gente. Esse foi o recado dado com energia pelo sucessor de BIll Gates, que começou sua apresentação mostrando com ele enxerga o mundo do conteúdo e da publicidade daqui pra frente.
Sem dúvida nenhuma de que todo o conteúdo será digitalizado de alguma forma, Balmer bateu bastante na tecla da relevância. Segundo ele (e a torcida do flamengo), estamos entrando (já entramos) em uma era em que o consumidor escolhe as mensagens que quer ver e rejeita o que aparece fora de hora ou de contexto.
Balmer também lembrou que a internet foi desenhada inicialmente para as telas de PC e que os esforços da companhia hoje estão em parte voltados para que as outras duas telas (dos dispositivos móveis e da TV) recebam o conteúdo da internet de forma que faça sentido para quem está assistindo. Dessa forma, ele acredita, os próximos dez anos serão de uma incrível evolução na área de interfaces: precisamos refinar e explorar diferentes formas de interagir com conteúdos em telas, seja com reconhecimento de voz ou de movimentos. Alguém aí falou em Project Natal? Curiosamente, a maior novidade da Microsoft dos últimos tempos não foi citada.
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Bom, em termos de seminários é isso, minha gente. Eu ainda queria falar sobre o Wildfire, da revista Contagious com a Leo Burnett, mas antes quero achar os cases em vídeo pra disponibilizar pra todo mundo aqui. Faço isso outra hora.
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E aqui vai uma primeira impressão sobre o todo do festival: parece haver uma necessidade latente por experiências emocionais que se espalhem por diversos pontos de contato. Uma boa história não independe mais dos pontos de contato a qual está destinada. E pontos de contato não funcionam independente de uma boa história a ser contada. A campanha do Obama, que será discutida amanhã no seminário da DDB é um bom exemplo: sem os pontos de contato utilizados (o celular, o email, as redes sociais, coordenadas com os esforços de mídia de massa) a história em si seria outra, seu desenrolar narrativo seria outro. E toda a estrutura montada sem a carga de significado construído em torno do nome de Obama também não faria sentido, seria como um forte esqueleto sem coração. Ele pode até parar de pé, mas não atrai ninguém. Bom, mas isso é assunto pra outra hora.
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Antes de desconectar, mais uma nota. Os Quase-Ganhadores de Cannes Quer saber quem está levando os leões pra casa? Dá uma olhada no site oficial do festival de Cannes. Todos os dias tem tudo lá, organizadinho. Mas e os outros? Aquele monte de cases e soluções que não interessaram ao júri bem que podem interessar você. a Não que o júri não preste, mas sendo tão rigoroso o filtro acaba deixando de fora boas idéias que podem nos inspirar mesmo não sendo Leões. Aqui vai uma seleção de quatro dessas pra você tiradas dos corredores do shortlist.
Ação de mídia externa da Kingston para demonstrar a capacidade de armazenamento do seu pen drive.
A agência espanhola Ruiz Nicoli Lineas construiu o buzz em torno do seu nome de forma bastante... especial. O primeiro passo da campanha foi divulgar em site e em um anúncio o título de Agência do Ano segundo o Nielsen. Depois de todo falatório na mídia sobre, afinal, que pesquisa é essa do Instituto Nielsen, a agência revelou um vídeo no qual o ator Leslie Nielse, de comédias como Corra que a Polícia Vem Aí, revelava sua preferência pela agência. O case fala de 250 mil euros em mídia gratuita gerada pela notícia. Minha escolha pra case do ano. Não sei se tem outros melhores, mas eu sou fã do Leslie Nielsen. Se ele falou, tá falado.
O Greenpeace da Turquia desenvolveu uma ação ousada para convencer os candidatos a eleições locais a assinarem o Greenpeace Climate Declaration: lançou uma campanha de um falso candidato que tinha uma plataforma mais "verde" e que consquistou uma popularidade maior do que a dos candidatos reais. A campanha tinha todos os elementos de uma campanha real, com site, jingle de campanha, entrevista coletiva com o candidato, uso de redes sociais, entre outras ferramentas.
E por último esse incrível poster de uma editora de livros infantis do Japão que só poderia ser lido por crianças: se você tem acima de uma determinada altura, a forma como a frase do cartaz está impressa impede que você leia.