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Projeto Futuro - A Arte Contemporânea é Dadaísta
10 Dez 2009, 10.25 AM

E continuamos com nossa série de posts que revisa essa primeira década do novo século.

Para saber mais sobre o Projeto Futuro, leia aqui a introdução.

O primeiro post, sobre Cultura Colaborativa, está aqui.

Mas vamos agora ao texto da semana...

 

“Quanto mais conhecimento a humanidade tem, mais incerteza tem das coisas”, disse Auguste Comte, um dos fundadores da sociologia. Quando pensamos no volume de informação a que temos acesso hoje em dia, paralelo à dificuldade que até mesmo estudiosos têm de prever o que está por vir nos próximos anos, temos ainda mais certeza desta incerteza. “A dúvida é a única certeza que se pode ter”, essa era a crença de outro pensador, René Descartes. Segundo ele, se não duvidamos, não evoluímos.

No século passado, os artistas plásticos passaram a duvidar das verdades. Uma única linguagem artística – a da estética e da forma – transformou-se em infinitas. A arte formal foi desordenada, gerando novos movimentos, representações e formatos. Um dos movimentos modernos destaca-se por seus conceitos, praticamente todos fundamentados na perda de controle, na experimentação, no questionamento da ordem e, assim, na dúvida. Este movimento é o Dadaísmo.

 



 

Cinco décadas depois da sua fundação (1909), conhecemos “dadaístas modernos” como Andy Warhol e Pollock. E, mais tarde ainda, os artistas plásticos contemporâneos. Estes, assim como os de 1909 e da década de 60, são genuinamente dadaístas. Até porque a dúvida é o status quo contemporâneo.


Por retratar o caos decorrente da dúvida, a arte contemporânea está cada vez mais despreocupada com o que seus experimentos resultam. O processo criativo da arte está sendo muito mais valorizado do que seu resultado, ou seja, do que aquilo que está no museu. A maneira mais intensa e reflexiva de interpretar o caos é experimentando possibilidades, é permitindo que o inusitado aconteça. Este raciocínio explica a quantidade de videoartes e peças interativas que vemos hoje em dia em exposições de arte.



 

Apesar de parecerem desprovidas de fim ou de significado para a maioria dos espectadores, estas obras são na verdade brainstorms expostos, experimentos interativos, caminhos mentais percorridos ali apresentados ao público. Alexandre Dias Ramos, crítico de arte, fez em seu artigo “Sua solução insolúvel” uma analogia muito interessante. Ele escreveu que o fato de entrarmos num congresso de biologia sobre pépodes harpacticóides e não entendermos nada não nos dá o direito de julgar ruim ou absurdo tal conteúdo. Se nossa vontade for a de compreender, cabe a nós ler a respeito, ter subsídios necessários para “decifrar o código”. O mesmo serve para a apreensão adequada de uma obra de arte – não apenas de obras contemporâneas.

 


 

Em um momento em que todos nós continuamos sem muitas certezas do que está por vir, é difícil definir se a arte continuará este caos dadaísta. Novos Duchamps surgem a cada dia, desconstruindo conceitos e impregnando a produção artística de questionamentos. É o que se pode concluir estudando a lista de artistas abaixo relacionada. Contudo, alguns dão indícios de uma nova proposta. Experimentos artísticos mais internos e psicológicos do que externos e tecnológicos representam um olhar para dentro de si, ou seja, uma espécie de novo surrealismo. A desaceleração da tecnologia já prevista há alguns anos pode ser a maior representação de um novo tempo para a arte. Um tempo de “retrocesso evolutivo”, em que se torna necessário resgatar valores humanos. Agora, se analisarmos o trabalho de artistas como Aakash Nihalani (imagem acima), por exemplo, notamos um retrocesso ainda maior: uma volta à simbologia das cavernas. Mais uma vez, a dúvida é a única certeza que temos. Será que chegamos ao estopim da arte, e agora voltaremos, de trás pra frente, à “arte do início de tudo”, quando o ser humano buscava nada mais do que suprir suas necessidades básicas? Sabendo que a perda dos recursos naturais já está em pauta há tempos, este raciocínio parece ser a nossa primeira certeza.

***

Não deixe de conferir o trabalho desses caras.

É só clicar no nome.

Caleb Weintraub. Julie Mehretu. Ghada Amer. Douk Aitken. Tracey Emin. Maurizio Cattelan. Sebastian Ofuszak. Aakash Nihalani. Carl Kleiner. Pjota. Michael Leon. Eleanna Anagnos. Damien Hirst. Ron Mueck.
Andrew Gordon. Blu.

 

 

categorias:   Arte, Tendências
tags: 
 
Em 22 Jan 2010, Alberto Bina escreveu:
 
As raízes é que nos fazem evoluir, mas todos dizem e fazem parecer que evoluímos não para um momento distinto do anterior, mas para uma aglomeração onde tudo se encontra ao mesmo tempo. Parece que chegamos em um ponto sem vazão e desapego, com camadas culturais se sobrepondo sem ar para respirar.
 
Em 15 Dez 2009, Roberta barreto escreveu:
 
BACANA FERNANDO!! São palavras como estas que proporcionam reflexões repentinas, inesperadas - mas muito preciosas - durante a condicionante rotina do dia a dia. Injeções inspiradoras assim proporcionam, também, o questionamento individual, interno que acaba refletindo no coletivo ou externo. E o que seria, então, esse experimento artístico interno e psicológico senão o fruto - ou a negação - daquilo que advém da tecnologia? Surge, com a aceleração das tecnologias de informação e a necessidade de tornar tudo (processos, tempo, relações, relacionamentos) automatizado, a atitude de \'repensar\' toda essa lógica ilógica, essa vida mecânica que a maioria (incluindo eu...) se propõe a viver. De maneira cílcica, o indivíduo, o artista, volta para aquele ruído primeiro, para o que é primordial como forma de questionamento do que está imerso, resgatando o que há de mais humano no mundo: as interações. É nesse sentido que Nihalani, em sua proposta principal de interferência urbana com fitas adesivas, retoma a simplicidade dos atos, abraçando aqueles que caminham pelas ruas e roubando olhares desatentos, perdidos mas focados naquilo que se \"deve\" (?) fazer. ESPERO PODER ENTRAR NO BLOG (muito bem indicado) COM FREQUÊNCIA E ENCONTRAR UM POUCO MAIS DE PROPOSTAS COMO ESTAS. Muito style, Fernando.
 
 
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