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Monja Coen fala sobre liderança na Escala
23 Jul 2010, 05.08 PM

 

O dia hoje começou diferente na unidade de Porto Alegre da Escala. Um grupo de Gestores e Diretores assistiu a uma palestra ministrada pela Monja Coen Sensei. O tema não poderia ser mais pertinente: trabalho em equipe – que não deixa de ser uma forma de viver em comunidade, como a que a Monja Coen orienta. Bem humorada e com uma voz aveludada, Monja Coen começou a palestra às 9h ensinando os líderes a respirarem conscientemente. A respiração consciente (inspirar profundamente e expirar lentamente) reduz a corrida mental, oxigena todas as células do corpo, situa a pessoa no local em que está e promove equilíbrio.

Depois disso, Monja Coen falou sobre a necessidade de aprendermos a conviver com a tensão entre as pessoas que trabalham juntas: “Se as pessoas estão frias entre si não há transformação. É preciso calor para poder moldar as coisas. É assim que as arestas vão sendo aparadas e as pontas se tornam arredondadas. Dessa forma, o que o outro diz me provoca, mas não me fere”.

Segundo ela, é necessário que os líderes conheçam as pessoas em profundidade, seus anseios e necessidades, para que possam gerir um trabalho em equipe. Deixar a postura do “eu” isolado do mundo e se integrar ao universo ao seu redor. “O líder acolhe todos os pensamentos diferentes e leva esse time adiante, respeitando as divergências e instigando o debate”, diz a monja. Falando especificamente sobre o trabalho da publicidade, Monja Cohen salientou que as aparências revelam nossas escolhas. A imagem que passamos, seja na escolha de uma roupa ou de um corte de cabelo, diz muito do que trazemos dentro de nós. “O líder percebe o todo dessas escolhas, desses estados de espírito, e congrega as pessoas”, diz a líder espiritual.

 


Monja Coen também falou profundamente sobre a raiva,  esse sentimento que, nas palavras bem humoradas dela, “até os budistas sentem”. A questão, segundo ela, não é “não sentir” raiva, mas saber como lidar com ela, evitando reagir aos gestos de raiva do outro na mesma moeda. Para isso também serve a meditação. Para respirar com consciência, equilibrar-se e partir para a ação – com ponderação e calma, mas com necessidade de mudar o que está errado ou incomodando. “São Bento dizia: é proibido resmungar. E nós resmungamos muito, temos o hábito de remoer as coisas e alimentar sentimentos de raiva em vez de, no momento adequado e de forma adequada, falar com a pessoa que realmente está nos perturbando. É um hábito descarregar a raiva em nós mesmos e nos outros, que não têm nada a ver com a situação geradora daquele estado de espírito.” Quando a pessoa escolhe a resposta, ela se livra da manipulação do outro. “A capacidade de perceber nossos mecanismos mentais nos coloca no controle de nós mesmos”, ensina.

Por fim, deixou uma mensagem importante: “Cada dia eu posso fazer escolhas e me transformar. Não existe um eu fixo. A mudança é constante e permanente.”

***

Em setembro, a Monja Coen estará de volta a Porto Alegre para participar de um evento também sobre liderança. Para mais informações, cadastre-se no mailing do Via Zen, centro zen budista orientado por Coen Sensei em Porto Alegre. Em São Paulo, você pode procurar os eventos do Zendo Brasil.

Fotos: Milena Fischer 

 

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