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GP 1 mais 1 (parte 1)
05 Dez 2011, 06.58 PM

Foram quase 10 horas consecutivas, 13 palestrantes, mais de 600 planners reunidos trocando idéias, experiências, impressões. Essa maratona aconteceu na última segunda-feira, em São Paulo e chama-se Conferência de Planejamento. Um evento organizado pelo Grupo de Planejamento. O tema este ano foi integração e é pra continuar nesse clima que este post foi concebido após uma discussão entre os planners da Escala que participaram do evento.

Dividimos nossa discussão em duas partes, aqui vão nossas primeiras impressões!

Entre os grandes nomes do planejamento mundial, 3 palestrantes “fora do eixo” fizeram a platéia se levantar e aplaudir.

Denis Burgierman é jornalista, trabalhou 10 anos na revista Superinteressante, morou no Silicon Valley e fez parte do TED Amazônia. Ao longo de sua trajetória, sentia um incômodo em saber um pouco de tudo, mas nada com muita profundidade. Porém, foi percebendo que as matérias que ele escrevia traziam diferentes pontos de vista sobre um tema e que a complexidade do cruzamento que ele fazia entre essas informações trazia um resultado interessante. Fazendo uma analogia a nossa vida hoje, ele acredita que a complexidade do mundo é fruto da complexidade das conexões que são necessárias para que as coisas aconteçam. Essas formam um sistema do qual todos fazemos parte. Por isso, a importância em contribuir de forma positiva, pois esse tipo de atitude atitude, quando em maioria, reverberam nessa teia e inibem a proliferação de más intensões. Daí a importância de eventos como o TED, ou de projetos como o Movimento Minas, do qual ele participou da concepção pela WebCitzen.

Já o Pablo Capilé contou pra gente uma verdadeira epopéia que começou com o questionamento sobre o papel da indústria fonográfica e terminou com a formação de um coletivo chamado Espaço Cubo, idealizador e realizador de diversos festivais de música, eventos culturais, como o Circuito Fora do Eixo, e até uma moeda própria. Mas isso só pra você ter noçāo da proporção que uma idéia pode tomar quando muita gente acredita nela.

Priscilla Brasil confessou ao pisar no palco que nāo tinha idéia do que esperava por ela naquele evento. Talvez nós mesmos, que sabíamos o que esperar, seríamos surpreendidos. O ponto alto de sua palestra foi quando ela contou como surgiu seu interesse pelo tecnobrega e, consequentemente, os documentários e video-clipes de cantoras do tecnobrega que concebeu e dirigiu.

Enfim, para quem ama estudar culturas e pessoas, nāo precisava de mais nada. Depois de ir a uma festa de aparelhagem e conversar com cantores e produtores de tecnobrega, Priscilla entendeu a lógica que regia o movimento: segundo depoimento deles, se apropriar de uma música e "torná-la tecnobrega" nāo é roubo, é homenagem. Uma vez detectada essa verdade, ela começou a pensar em como levar o produto desse movimento cultural para além norte brasileiro. Como legitimar essa estética da cópia? A soluçāo que ela encontrou foi usar a lógica do Creative Commons. Assim, os videoclipes produzidos por ela para cantoras de tecnobrega passaram a ter o selo CC.

 Mas o que esses palestrantes tinham em comum? A forma despojada de falar com o público, a empolgação do discurso, o orgulho e carinho com que se referiam aos seus projetos. Eles emocionaram a platéia, contagiaram pessoas carentes de execução e fartas de teorias e argumentos. 

Eles acreditaram numa causa, numa idéia e nāo tiveram a pretensāo de torná-la realidade sozinhos. Todos eles se enxergaram parte de um sistema e conscientes de que para transformar é preciso se dedicar, persistir, argumentar, colocar a māo na massa e nāo apenas agir somente depois de ter todas as chances de erro minimizadas. Para eles, o aprendizado e a correçāo de rumos vem ao longo de cada experiência.

E nāo foi apenas esses 3 palestrantes que nos fizeram chegar a esse raciocínio. Paula Rizzo, quando nos apresentou o case da Nova Batata, também demonstrou o mesmo orgulho de ter feito parte de um trabalho que ela nāo apenas concebeu, mas também ajudou a concretizar.

No próximo post, seguimos com a discussão trazendo os nomes internacionais do evento!

categorias:   Evento
tags:  Eventos, cases, Planejamento
 
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