Depoimento de Gustavo Schifino, Diretor da Trópico, na NFR 2011, contando as oportunidades para o varejo brasileiro como o sucesso de suas operações dentro e fora do Brasil.
Difícil resumir o segundo dia do seminário com tantos assuntos diversos. Mas começou com uma palestra sobre a economia no mundo e como ela está influenciando o varejo. O grande ponto trazido pelos palestrantes foi a retomada do crescimento da economia americana. O tom era de otimismo, apesar de estarem um pouco contrariados por entenderem que nunca mais a economia americana vai crescer em patamares altos, como os já alcançados antigamente. Neste contexto, os países do BRIC não são apenas alternativas, mas quase que imperativos no plano de expansão das empresas de varejo, já que nos próximos anos, o crescimento nesses países será o dobro das economias em desenvolvimento.
O interessante foi que um dia antes dessa palestra, vi uma matéria na TV falando que era hora de pedir aumento de salário. A matéria defendia que as empresas estagnaram os salários em função da crise e que agora já estão capitalizadas, apesar disso, seguem com a desculpa da crise para não aumentar os salários dos funcionários. A matéria ensinava inclusive como negociar o aumento, um reflexo da transparência com que os temas são tratados nesta sociedade.
Voltando ao seminário, um dos palestrantes era CEO da Payless, rede de sapatos com posicionamento em preço baixo . Mesmo vendendo seus produtos baratos, ele entende que as pessoas não estão querendo somente preço baixo, mas emoção. Emoção de ver um produto bonito, emoção por ser bem atendido, emoção por conseguir comprar facilmente. Ainda querendo pagar menos, mas querendo muito mais.
E assim as outras palestras cruzaram o dia, falando deste novo consumidor que está mais exigente, informado, mais difícil de satisfazer, mas que quer interagir, dialogar, ser impactado com algo positivo, com algo útil pra ele. Uma frase do CEO da Macys resume bem o que ficou pra mim do dia : “Quando falamos em varejo não estamos aqui falando de lojas, de mobile marketing, de logística, estamos falando em ter uma comunicação, um diálogo com os clientes”. Para completar sobre como devemos entender os clientes de forma profunda, ele falou : “Eles fazem suas escolhas, nós temos que dar o motivo pra eles nos escolherem”.
Varejo e Redes Sociais
A importância das redes sociais para auxiliar as empresas a conhecerem melhor os seus consumidores foi um tema bastante falado. Exemplo que a GDR, empresa de tendências inglesa, trouxe pra o seminário sobre criatividade. A KLM, empresa holandesa de aviação, fez uma promoção para alguns de seus clientes. Entre o check in e a sala de embarque, eles rastreavam, ou davam um " Google " , como ela mencionou, sobre a vida de algumas pessoa nas redes sociais. Desta forma descobriam gostos, qual motivo da viagem, etc. Na sala de embarque estas pessoas recebiam um presente alinhado com algum interesse pessoal descobreto no seu perfil nas redes sociais.
Ela mencionou que nem todo mundo achou a ação divertida, porque isso também gera uma sensação de invasão de privacidade (mesmo que a pessoa coloque todos os seus passos na rede). Mas a ideia da KLM era surpreender, ser criativo, inovar e mostrar este profundo conhecimento de seus clientes. Olha o vídeo aí:
Varejo e Mobile
Mobile foi a ferramenta do dia. Várias palestras e com certeza as melhores do dia de ontem. No começo de uma palestra o apresentador pergunta: quem aqui tem smartphone? Quase 100% de resposta positiva. Quem aqui usa email, pesquisa, manda mensagens pelo smartphone? 100% . Quem aqui compra por smatphone? Talvez 10%. E desta forma ele falou sobre a grande oportunidade que tem este negócio. Não na venda por smartphone, mas por um conceito muito mais integrado e ao encontro do que as pessoas querem hoje quando compram: informação e facilidade. Duas das qualidades principais destes aparelhos. Mas o que mesmo eu posso dizer? Que agora, acabando de escrever este texto eu me dou conta que tem sim um resumo do dia: estamos vivendo também uma grande revolução no varejo para os próximos 10 anos e para enfrentar e ter sucesso precisamos de duas coisas: 1. Entender bem os consumidores 2. Entregar o que eles querem. Duas frases simples para definir caminhos complicadíssimos
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Curiosidades, Dicas ou Referências: - Na Rede Payless 90% das vendas são pagas em dinheiro e somente 10% em cartão. - Hoje 50% dos americanos tem smartphones. - Das palestras que eu vi as empresas mais citadas para ficar de olho quando o assunto é inovação: Macys, Target, Uniqlo, Facebook, Facebook, Facebook.
Além de produzir textos, a Lucia andou gravando depoimentos dos profissionais brasileiros que estão na NRF. O vídeo abaixo é com o Sérgio Galbinski, vice-presidente da CDL e Sindilojas RS e diretor da Casa Louro. Confiram aí o que ele está achando da feira e qual o entendimento dele de relevância do varejo no Brasil.
O que eu não contei ao pular direto para os acontecimentos de domingo é que no sábado passamos o dia fazendo visitas técnicas , ou seja, visitas guiadas em lojas. A função foi organizada por duas especialistas de lojas em Nova York que tem uma empresa muito interessante, além de serem super profissionais e inspiradoradoras. Vejam o site: http://www.ny-lab.com/ .
Foram vários lugares visitados, mas a mais bacana de todas, foi a empresa Bumble&Bumble Products. É uma marca de produtos de beleza que colocou toda a sua operação em um prédio do Meatpacking District que é chamado de “The House of Bumble”. A ideia é ter um prédio onde toda a cadeia pudesse estar em contato o tempo todo. O lugar tem um salão de cabelereiro, um centro de treinamento de profissionais ( a Universidade Bumble ) , o marketing, a presidência, uma biblioteca e espaço de exposições. A entrada de tudo isso é por um lounge com vista para o Rio Hudson com uma cafeteria para atender os clientes. O lugar é simplesmente maravilhoso e transpira a essência da marca, que é fazer produtos de qualidade com a atualização da moda.
A gerente que conversou com a gente apresentou o lounge de entrada com uma frase super bacana: “ aqui as pessoas relaxam antes da experiência”. E que experiência. Os produtos são lindos, o staff mais maravilhoso ainda , o prédio encantador e com uma estrutura de tirar o fôlego.
A marca começou há 15 anos com produtos orgânicos e depois passou a ser usada na Fashion Week de NY. Hoje, eles só querem vender em spas e boutiques e nos próprios salões espalhados pelos Estados Unidos. Um exemplo de investimento e marketing? Pode ser também, mas mais do que isso um exemplo de foco, de criatividade e de essência de marca. Para inspirar.
Cheguei na sexta-feira pela manhã aqui em Nova York, num dia de muita neve e frio abaixo de zero para a maior feira de varejo do mundo: a convenção anual da NRF - National Retail Federation. Esta é a 100th edição de um encontro que conta com a presença dos maiores varejistas do mundo que discutem sobre o que há de novo, o que pode ser feito melhor, quais as tendências no mundo do varejo.
Este ano são 30% de brasileiros e por mais que isso não seja a totalidade da Feira, parece que o português é a língua oficial nos corredores do Jacob Javits Convention Center.
Eu também vim numa comitiva e logo na sexta fomos para o Woodbury, maior outlet Premium de Nova York. Já no caminho fiquei sabendo que o lugar era aberto, o que quer dizer que seria uma tarde com muita neve e frio. Já tinha estado algumas vezes na cidade, mas nunca tinha tido a oportunidade de ir até lá. Só a ida já vale o passeio. Saindo da ilha, com várias lojas enormes pelo caminho, fica a sensação de conhecer um pouco mais o porte de tudo que encontramos nos Estados Unidos. E quando falo em porte, estou falando do porte enorme e exagerado.
O centro de compras realmente é muito tentador pelos preços, mas não com o mesmo padrão de atendimento de Manhattan e o shopping, que é um outlet, é todo aberto como uma vila.
E este espaço aberto foi uma das coisas citadas pelo Paco Underhill , primeiro palestrante da manhã de domingo. Com o tema: “The Many Shades of Green”, Paco Underhill falou e destilou críticas ao estilo americano de consumo que, segundo ele, não deve servir de exemplo em um mundo sustentável. Começou sua palestra dizendo o quanto é importante vivermos com mais segurança para termos confiança no futuro e poder sim pensar em ser ”Green”, senão fica um discurso muito distante da realidade da maioria dos países do mundo. Ele trouxe então como exemplo um shopping a céu aberto na Alemanha, que não é um Mall, palavra em inglês para shopping, mas All, ou seja, o lugar onde a pessoa vive, compra, se diverte, num estilo de vila, que é como as pessoas querem e gostam de viver.
Ele falou também sobre a importância de revisarmos a forma como nós vivemos para realmente ter uma vida sustentável.
Segundo ele a questão da sustentabilidade não é política e nem econômica, mas moral. Inevitável. E isto vai impactar diretamente como nós vivemos e como será o varejo nos próximos 10 anos.
E ainda deu inúmeros exemplos sobre ideias sustentáveis que já estão sendo implantadas em todo o mundo.
Sustentabilidade é um dos pilares de assuntos que estão nesta conferência. Durante 4 dias, várias palestras, workshops variam entre os temas de Design, Merchandising, Operação de loja, Varejo Mobile, Cadeia de Suprimentos, Informação e Tecnologia, Varejo Online, Marketing e Gerenciamento de marcas e Sustentabilidade.
A escolha realmente é difícil, pois são várias atrações que acontecem ao mesmo tempo, exceto nas Super Sessions, que são as principais palestras geralmente patrocinadas por alguma grande empresa como a IBM, SAP, FICO, Deloitte, Intel, Oracle e Microsoft.
Esses patrocinadores dão uma pista do assunto mais citado em todos os seminários: a influência da tecnologia na grande transformação que estamos vivendo no varejo - e cá entre nós, em todo o lugar. Estava pensando hoje enquanto tentava entrar numa das mais concorridas palestras que tratavam sobre Mobile Retailing, que nos últimos 3 anos no mínimo toda conferência que vou, não interessa se de publicidade ou outro tema qualquer, a tecnologia ganhou o centro das atenções. O que fazer com ela? Como utilizar melhor? O que está mudando pra gente com toda esta revolução?
E é isto que pretendo tentar responder nos próximos dias nas inúmeras palestras que virão pela frente.
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Curiosidades, Dicas ou Referências:
Diferente de todos os congressos e seminários que tenho ido nos últimos tempos, este incrivelmente tem um número baixíssimo de pessoas com laptop no colo. É engraçado quando o tema principal de todas as palestras é entender como é o uso da tecnologia no dia a dia dos clientes;
Para acompanhar o seminário vale ler o blog do próprio evento que está super rico: http://blog.nrf.com/
Das palestras que eu vi as empresas mais citadas para ficar de olho quando o assunto é inovação: Target, Home Depot, Amazon, Tag Heurer, Macys, GE.